13 março 2005

A descoberta do objeto - professor Renato Vieira Filho - apostila 2.25.01- parte 1.

escola de 2 grau – iadê
curso técnico de desenho de comunicação apostila: 2.25.01
disciplina: semiologia II dep. teórico: 01/74
assunto: a descoberta do objeto

TEXTO 9 – UM NOVO REALISMO, A COR PURA E O OBJETO

Pode-se considerar a evolução artística atual como uma batalha que se trava e que dura de há cinqüenta anos para cá, entre uma concepção do tema derivada da Renascença italiana e o interêsse pelo objeto e pelo tom puro, que se afirma cada vez mais nas nossas idéias modernas.
Esta batalha merece ser seguida, observada e estudada de perto, porque permanece muito atual. É uma espécie de revolução cujas conseqüências são muito importantes. Esse sentimento do objeto existe já nos quadros primitivos – nas obras das antigas épocas: egípcia, assíria, grega, romana, gótica.
Os modernos vão desenvolvê-lo, isolá-lo, extrair todas as possíveis conseqüências. A obrigatoriedade do tema deixa de ser aceita. Essa armadura que domina toda a arte da Renascença foi quebrada.
Destruído o tema, era preciso encontrar outra coisa, e são o objeto e a cor pura que se tornam o valor supletivo.
Nesta nova fase, a liberdade de composição torna-se infinita. Uma liberdade total, que vai permitir composições imaginativas onde a fantasia criadora vai poder revelar-se e desenvolver-se.
Esse objeto que estava encerrado no tema torna-se livre, essa cor pura que não podia afirmar-se vai eclodir. O objeto torna-se a personagem principal das novas obras pictóricas.
Por exemplo, estou diante de uma paisagem composta de arvores, de céu, de nuvens. Vou interessar-me somente pela árvore, estudá-la e sacar todas as possibilidades plásticas que comporta: a casca, que tem um desenho muitas vezes expressivo, os ramos, cujo movimento é dinâmico, as folhas, que podem valer decorativamente. Esta árvore, tão rica em valor plástico, é sacrificada no quadro com tema. Isolada, estudada à parte, vai fornecer-nos material para renovar a expressão pictórica atual.
Devo reconhecer que, nesta tão apaixonante história do objeto, o cinema, com seus grandes planos, permitiu-nos avançar mais depressa.
A batalha tinha começado antes. Já os impressionistas tinham iniciado a luta pela libertação. Os modernos seguiram-nos e acentuaram o esforço.

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