Mas, de qualquer modo, repito-o, o cinema tem aí qualquer coisa a ver.
Ao projetar fragmentos de figura – um olho, uma boca, uma narina – desencadeou o interesse plástico e aumentou as possibilidades já existentes.
Um pé calçado, debaixo de uma mesa, ampliado dez vezes no écran, torna-se um fato surpreendente, em que nunca antes se reparara. É uma realidade, uma realidade nova, que não existia ainda, quando nos limitávamos a olhar maquinalmente a extremidade de nossa perna a andar ou sentados.
Uma nuvem isolada, fora do fundo azul do céu, tem muitas vezes um desenho e um relevo de uma riqueza que não se descobre quando faz parte da paisagem.
Também a investigação científica permitiu aos artistas descobrir esta nova realidade.
Plantas submarinas, animais infinitamente pequenos, uma gota de água com seus micróbios aumentados mil vezes pelo microscópio, tudo isso transforma-se em novas possibilidades picturais ou permite um desenvolvimento na arte decorativa.
Apercebemo-nos, então, de que tudo tem um igual interesse, que a figura humana, o corpo humano, não é mais importante, do ponto de vista do interesse plástico, do que uma árvore, uma planta, um fragmento de rocha, uma corda. Trata-se de compor um quadro com estes objetos, havendo o cuidado de escolher aqueles que podem realizar uma composição. É uma questão de escolha da parte do artista.
Um exemplo: se componho um quadro utilizando como objeto um fragmento de casca de árvore, um fragmento de asa de borboleta, é provável que não se reconheça a casca de árvore, a asa de borboleta e que se diga: que representa isto É um quadro figurativo.
Aquilo a que se chama quadro abstrato é coisa que não existe. Não há quadros abstratos nem quadros concretos. Há quadros bons e quadros maus. Há quadros que nos comovem e quadros que nos deixam indiferentes.
Nunca se deve julgar um quadro por comparação com elementos mais ou menos naturais. Um quadro tem um valor em si próprio, como uma partitura musical, como um poema.
A realidade é infinita e muito variada. Que é a realidade? Onde começa? Onde acaba? Que dose de realidade deve existir na partitura? Impossível responder.
Outro exemplo sobre esta questão da realidade: fotografo, com muita exatidão e com uma luz muito forte, uma unha de mulher. Esta unha, muito cuidada, é valorizada como um olho, como a boca. É um objeto que tem um valor em si.
Depois projeto a unha aumentada cem vezes e digo a uma pessoa: veja aqui, é um fragmento de um planeta em evolução, e a uma outra: é uma forma abstrata. Ficarão espantadas e entusiasmadas, acreditarão no que digo. Mas, finalmente, dir-lhes-ei: não, o que acabam de ver é a unha do dedo mindinho da mão esquerda da minha mulher. Essas pessoas ir-se-ão embora vexadas, mas nunca mais farão a famosa pergunta: que representa isto
Esta pergunta já não tem nenhuma razão de ser. O Belo está em toda parte, no objeto, no fragmento, em formas puramente inventadas. O que é preciso é desenvolver a sensibilidade para poder discernir o que é belo e o que não é. A inteligência, a lógica, não têm nada a ver em tudo isso.
Não se explica a arte. É coisa do domínio da sensibilidade, que pode e deve desenvolver-se.
A lógica dedutiva é coisa fria, apenas gerou professores solenes e acadêmicos.
Uma educação é possível, existe até. A prova está na evolução da arte decorativa moderna. Os comerciantes e os industriais sentiram que esse famoso objeto tinha um valor publicitário. Compuseram vitrinas de modo a valorizar os objetos do seu comércio – 5 pares de meias apresentadas sobre um fundo de cor, fazem mais efeito do que 200 amontoados ao lado uns dos outros. Todo o comércio compreendeu e utilizou o advento do objeto.
Compreendeu-se a beleza dos objetos em si próprios e a inutilidade de os decorar ou pintar. Isto é muito moderno, muito novo.
O objeto industrial usual tem, muitas vezes, uma forma harmoniosa, determinada unicamente pelo seu funcionamento.
Belos materiais como o mármore, o aço, o vidro, a borracha, o couro, entram agora como valor decorativo em casas e monumentos sociais.
Ao projetar fragmentos de figura – um olho, uma boca, uma narina – desencadeou o interesse plástico e aumentou as possibilidades já existentes.
Um pé calçado, debaixo de uma mesa, ampliado dez vezes no écran, torna-se um fato surpreendente, em que nunca antes se reparara. É uma realidade, uma realidade nova, que não existia ainda, quando nos limitávamos a olhar maquinalmente a extremidade de nossa perna a andar ou sentados.
Uma nuvem isolada, fora do fundo azul do céu, tem muitas vezes um desenho e um relevo de uma riqueza que não se descobre quando faz parte da paisagem.
Também a investigação científica permitiu aos artistas descobrir esta nova realidade.
Plantas submarinas, animais infinitamente pequenos, uma gota de água com seus micróbios aumentados mil vezes pelo microscópio, tudo isso transforma-se em novas possibilidades picturais ou permite um desenvolvimento na arte decorativa.
Apercebemo-nos, então, de que tudo tem um igual interesse, que a figura humana, o corpo humano, não é mais importante, do ponto de vista do interesse plástico, do que uma árvore, uma planta, um fragmento de rocha, uma corda. Trata-se de compor um quadro com estes objetos, havendo o cuidado de escolher aqueles que podem realizar uma composição. É uma questão de escolha da parte do artista.
Um exemplo: se componho um quadro utilizando como objeto um fragmento de casca de árvore, um fragmento de asa de borboleta, é provável que não se reconheça a casca de árvore, a asa de borboleta e que se diga: que representa isto É um quadro figurativo.
Aquilo a que se chama quadro abstrato é coisa que não existe. Não há quadros abstratos nem quadros concretos. Há quadros bons e quadros maus. Há quadros que nos comovem e quadros que nos deixam indiferentes.
Nunca se deve julgar um quadro por comparação com elementos mais ou menos naturais. Um quadro tem um valor em si próprio, como uma partitura musical, como um poema.
A realidade é infinita e muito variada. Que é a realidade? Onde começa? Onde acaba? Que dose de realidade deve existir na partitura? Impossível responder.
Outro exemplo sobre esta questão da realidade: fotografo, com muita exatidão e com uma luz muito forte, uma unha de mulher. Esta unha, muito cuidada, é valorizada como um olho, como a boca. É um objeto que tem um valor em si.
Depois projeto a unha aumentada cem vezes e digo a uma pessoa: veja aqui, é um fragmento de um planeta em evolução, e a uma outra: é uma forma abstrata. Ficarão espantadas e entusiasmadas, acreditarão no que digo. Mas, finalmente, dir-lhes-ei: não, o que acabam de ver é a unha do dedo mindinho da mão esquerda da minha mulher. Essas pessoas ir-se-ão embora vexadas, mas nunca mais farão a famosa pergunta: que representa isto
Esta pergunta já não tem nenhuma razão de ser. O Belo está em toda parte, no objeto, no fragmento, em formas puramente inventadas. O que é preciso é desenvolver a sensibilidade para poder discernir o que é belo e o que não é. A inteligência, a lógica, não têm nada a ver em tudo isso.
Não se explica a arte. É coisa do domínio da sensibilidade, que pode e deve desenvolver-se.
A lógica dedutiva é coisa fria, apenas gerou professores solenes e acadêmicos.
Uma educação é possível, existe até. A prova está na evolução da arte decorativa moderna. Os comerciantes e os industriais sentiram que esse famoso objeto tinha um valor publicitário. Compuseram vitrinas de modo a valorizar os objetos do seu comércio – 5 pares de meias apresentadas sobre um fundo de cor, fazem mais efeito do que 200 amontoados ao lado uns dos outros. Todo o comércio compreendeu e utilizou o advento do objeto.
Compreendeu-se a beleza dos objetos em si próprios e a inutilidade de os decorar ou pintar. Isto é muito moderno, muito novo.
O objeto industrial usual tem, muitas vezes, uma forma harmoniosa, determinada unicamente pelo seu funcionamento.
Belos materiais como o mármore, o aço, o vidro, a borracha, o couro, entram agora como valor decorativo em casas e monumentos sociais.

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